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A moça feita de música

  • 17 de jun. de 2016
  • 6 min de leitura

A inspiradora Melina Vaz é uma jovem porto-alegrense que vem conquistando, com sua voz, o coração do público nos pubs do Rio Grande do Sul. Com seus 22 anos, tem tudo para alcançar o sucesso. De pop-rock ao samba, ela atualmente ganhou destaque com suas performances em tributo à cantora Amy Winehouse. Mas a trajetória percorrida começou de forma bem curiosa, e Melina nos contou um pouco melhor sobre suas inspirações, sua história e seus projetos enquanto artista.



BM - Conte-me um pouco sobre sua trajetória artística, como tudo aconteceu? Sempre pensou em ser cantora?

Melina – “Desde cedo tive envolvimento com a música. Meu pai gostava muito de ouvir afro-sambas e MPB, e eu, desde pequena, cantava todas as letras de Monica Salmaso, Chico Buarque, Tom Jobim, Vinícius de Moraes, entre outros. Ele uma vez me levou no show de uma cantora aqui de Porto Alegre chamada Adriana Deffenti, e eu amei. (...) Sabia que gostava de cantar, mas não via a música como uma opção profissional.

Aos quinze anos uns amigos me convidaram para cantar em uma banda em que eles tocavam covers de pop-rock. Tocamos por quase dois anos, batizamos a banda de Burn It Up, nunca fizemos shows, mas foi a partir daí que comecei a me interessar ainda mais pelo assunto. Entrei para a aula de canto e para o coral de uma igreja, mesmo que eu não fosse de religião nenhuma. Entre meus 14 e 18 anos tive algumas bandinhas cover, só de hobby. (...)

Parei por dois anos. Em meio a viagens e estudos, depois de passar no vestibular da UFRGS para Museologia me vi fazendo algo que eu não me interessava de fato e sentindo muita falta de cantar. Voltei para o Brasil, larguei a faculdade, e ainda assim demorou um ano para eu decidir que queria ser cantora. E foi assim mesmo: uma decisão. Em 2015, enquanto trabalhava como social media para uma marca de calçados, eu me via gravando músicas com o meu celular nos meus tempos livres para ouvir como ficava, cantava para me divertir, e um dia caiu a ficha. "Porque não estou cantando como trabalho?"

Larguei tudo e fiz uma "to-do list" de coisas que eu precisava fazer para montar uma banda novamente.

- Voltar para a aula de canto

- Convidar músicos profissionais

- Decidir um set list

- Ensaiar

- Procurar lugares para tocar

Como dizia o primeiro item da minha lista, procurei uma professora de canto, e, para minha surpresa, descobri que a cantora que eu mais gostava quando criança, Adriana Deffenti, dava aulas. Aprender com alguém que você admira é uma experiência sensacional. E na primeira aula, Adri me perguntou: "Tu quer cantar profissionalmente?" e eu respondi, sem pensar "Sim!". A partir daí, tudo se desenrolou quase que naturalmente. Convidei apenas um violonista e aprendemos alguns dos sambas que eu ouvia quando criança. Foi interessante tocar os sambas, mas nos apresentamos apenas duas vezes até que Amy entrou na nossa vida.


BM - Qual sua ligação com a Amy Winehouse? Por que ela?

Melina - Confesso que não conhecia muito a vida e carreira da Amy antes de tocar. Já havia ouvido os hits, conhecia a parte mais "famosa" da história trágica com drogas e álcool, mas nunca me aprofundei. Uma noite, eu e Ricardo resolvemos sair pelo bairro boêmio de Porto Alegre em busca de lugares para tocarmos. Já havíamos conseguido um show onde tocaríamos sambas, mas o segundo bar em que entramos se chamava Rock'n'Soul, e quando oferecemos os sambas, ouvimos: "Qual é o nome do bar? Rock'n'Soul. Então que tipo de música que toca aqui? ...Bingo!". Para não perder a oportunidade de fazer um show, ofereci para tocarmos "algo tipo Amy Winehouse". Aceitaram, e falaram "Tributo à Amy, então!". No outro dia eu tinha no mínimo cinquenta abas abertas de pesquisa sobre a vida e carreira da Amy, já tinha ouvido os dois CD's inteiros, e começava a fazer o set list.


BM - O que mais te inspira na Amy? Qual música da Amy mais mexe com você enquanto você canta?

Melina - O que mais me inspira na Amy é o jeito como ela transformava suas dores em poesia. Se prestar atenção, principalmente nos shows ao vivo, dá pra sentir a tristeza, o amor, a decepção, o jeito irônico com qual ela tratava as desavenças amorosas e os vícios, acho isso impressionante. Uma música que eu amo cantar é Wake Up Alone, ela é muito triste e eu sinto a tristeza quando canto. Já passei exatamente pela situação que ela canta na música, e me identifico com as palavras, é muito impressionante como uma simples música consegue me atingir de tal forma.


BM - Qual é, em sua opinião, a maior contribuição que a Amy deu para a música?

Melina - As cantoras clássicas de Jazz, divas do movimento negro, como Nina Simone, Aretha Franklin, Billie Holiday, pra mim estão em um pedestal. Gosto muito de ouvi-las, mas sinto que cantar como elas, para mim, é quase inalcançável. Sei que isso é besteira, mas elas tinham uma imponência, uma maneira de brincar com a música, brincar com a voz sem fazer nenhum esforço. Após a aposentadoria dessas divas, nunca mais houve uma cantora de Jazz que se sobressaísse e entrasse nessa lista de cantoras impressionantes. Até a Amy aparecer. E pra mim, a contribuição da Amy para a música foi essa, ela se inspirou no Jazz clássico e no underground e criou algo contemporâneo e lindo de um jeito natural. A música era natural pra ela, era simples. E o mais interessante, para mim, é como ela passava uma vulnerabilidade e fragilidade que fazia eu me identificar com ela até mais do que com as divas clássicas, que pareciam inalcançáveis.


BM - Você já pensou em compor, ou possui músicas de sua autoria? Se sim, é possível achar essas músicas disponíveis na Internet?

Melina - Infelizmente, nunca compus nada. Ainda. Mas está nos planos. Esses dias, eu mandei uma mensagem desesperada para meu amigo Gustavo Telles, um grande músico, e pedi ajuda para isso. Ele vai compor para eu interpretar e me ajudar a aprender para que eu possa fazer minhas próprias músicas. Eu sinto que compor vai ser fácil e que depois que eu começar eu vou curtir, já que eu sou uma pessoa muito sensível e criativa, mas o problema é começar. Acho que a ajuda de um músico mais experiente vai me dar esse empurrão que preciso para dar o primeiro passo.


BM - Qual o momento mais marcante até agora que você já vivenciou nessa carreira?

Melina - Nosso primeiro show no Rock'n'Soul foi marcado na semana em que o documentário da Amy saiu no Netflix, ou seja, Amy Winehouse foi lembrada por todos e as pessoas conheceram sua história muito mais profundamente e se comoveram. Por isso, quando fizemos o evento, muita gente confirmou. Muita mesmo. Tinham em torno de 4 mil pessoas confirmadas no evento para um bar que tem a lotação máxima de 250 pessoas. Naquela noite fez uns 35 graus e o bar estava tão lotado que mal dava pra se mexer. Eu, nervosa, no terceiro show da minha vida, tocando Amy pela primeira vez em um show, percebi naquele dia que eu amo fazer isso, e que é isso que quero para a minha vida. Foi um momento lindo. É uma experiência impressionante estar em um palco com centenas de rostos te olhando fazer algo que tu curte e que tu põe amor. É lindo ver as pessoas cantando em coro contigo de olhos fechados. É lindo sentir essa energia. Meu pai chorou. Eu só não chorei porque o delineado da Amy ia borrar! (Risos).

Ah, e depois do show ainda tinha uma fila do lado de fora do bar! Resolvemos tocar novamente para que ninguém tenha saído de casa em vão. Avisamos para todos que não desistissem de entrar no bar, pois repetiríamos o show. E a segunda vez foi melhor ainda!


BM - Qual o próximo passo que deseja dar em sua carreira? Como se vê no futuro, com sua música?

Melina - Em um futuro próximo quero montar uma banda que toque apenas divas do jazz. Uma formação diferente, com piano e sopros é algo que eu sempre quis fazer e acho que chegou a hora de tentar. Vai ser um super desafio e tenho certeza que me fará crescer muito como cantora e estudar cada vez mais o jazz, que é um dos meus estilos preferidos de cantar.

Outro plano, que acredito que demorará mais para se concretizar, é um trabalho autoral. Como disse, vou ter ajuda do meu amigo Gustavo Telles para começar a compor, mas entre ajustes, ensaios, gravações, etc, é um trabalho muito mais complicado e que exige uma dedicação e um conhecimento muito maior do que qualquer coisa que eu já fiz. Por isso estou dando tempo ao tempo e pegando experiência de palco enquanto eu estudo e me preparo.


BM - Em que locais você está se apresentando agora?

Melina - Desde que comecei a tocar, fiz shows em Porto Alegre e região metropolitana, em bares e pubs. Cantei também em um casamento e em um evento gourmet. Canto onde me chamarem! O bairro boêmio da cidade, chamado Cidade Baixa, é onde eu me apresento com mais frequência. Cada vez em um bar diferente, conquistando públicos diferentes. Como estou com outros projetos, os shows de tributo à Amy estão menos frequentes, mas pretendemos tocar no interior do estado logo, logo.

Conheça mais sobre ela em: www.facebook.com/melinavazz/

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