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Descrição Densa: Melanie Martinez

  • 3 de nov. de 2017
  • 2 min de leitura

A proposta deste trabalho de Língua Portuguesa é fazer uma descrição aprofundada de uma celebridade.

Dois lados — é a primeira coisa que noto. Eu olho para a foto, ela olha para mim. Se torna, então, fácil descrevê-la assim; dois pares de si mesma, prata contra ouro. Um natural, ébano, escuro. Humanamente sombrio, inerente a seu ser. Nada diferente recai nessa parte dos fios: uma barbiezinha frígida como outra qualquer. Boneca facilmente descrita, por ser ordinária. Vendo-a deste ângulo, é fácil pensar que é mais uma pessoa como outras tantas, normal e obscura como todos nós podemos ser. Ordinária. Plastificada. Mas então ela vira. A outra face é camaleão. Rosa, roxa, branca, verde. Lagarto-azul. Não se decide, então sai do casulo sempre que possível, mostrando suas asas. Arco-íris de possibilidades; despropositada, insana. E iluminada. De certa forma, uma metade completa a outra, ainda que opostas. O falso versus o real, formando um conjunto perfeito para moldar sua cabeça, indo da raiz até a franja curta. Completamente chapeleira-maluca.

Há outros contrastes distintos nessa moça. Seu rosto poderia ser desmontado, como o do Sr Cabeça de Batata. Face oval: delicada e ameaçadora na medida certa. Olhos amendoados, grandes, esbanjando sua juventude pincelada pelo castanho. Não há economia na maquiagem, que escurece os contornos do olhar. Narizinho — não a do Sítio — com um piercing prateado. Covinhas escavando o topo da bochecha quando ri. Na boca, lábios carnudos e suaves; bonitos e pintados de preto. Ela brinca com um sorriso de dentes separados e com a voz de uma inocência falsa, que disfarça toda a malícia. É assim, nesses contrastes, que ela se construiu: tal como no Peter Pan, é uma criança que decidiu não crescer.

Mas essa Wendy não é toda infância. As pinturas em seus braços e coxas são provas disso. As tatuagens, apesar da temática doce e das cores chamativas, dão a ela um aspecto selvagem. Coelhos e facas. Ursos e armas. Sempre assim, coloridos de rosa-pink e azul bebê. Algumas, até, parecem estar ali com o mero intuito de preencher sua pele clara: um queijo amarelo despropositado, um sorvete de morango. Tudo compõe um carrossel que atinge incansavelmente a epiderme; girando, pode significar tudo, e quando girar de novo , não ter mais sentido algum.

Mãos finas, ágeis. Unhas longas, como garras. Seu corpo é pequeno: tão pequeno, aliás, que seu coração nem deve caber nele. A magreza confere à ela uns anos a menos do que realmente possui. Para cobri-lo, veste-se com roupas extravagantes. Saias de tules, meias chamativas. E tops curtos. Quando sua cintura fica à mostra, toda a infantilidade é quebrada, mesmo com seus pingentes de chupeta ou brincos de pompom. Os seios saindo do decote, decorados por colares com cubos de alfabetização. Na expressão facial, um sorriso perverso. Assustador. Melanie é uma mamadeira com veneno colorido transbordando de dentro.


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