Pequeno frasco, grande invenção
- 9 de abr. de 2017
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Olhos gentis, sorriso acolhedor. O rapaz de 22 anos, estudante da Universidade de Loughborough, no Reino Unido, emana inocência. Quem vê sua foto sem se atentar à legenda nem imagina que este jovem, William Broadway, criou algo que pode revolucionar a história. Ainda na universidade, sua pequena ideia de construir algo que pudesse levar vacinas sob a mesma temperatura para locais sem que houvesse problemas pelo tempo do percurso acabou se transformando em realidade antes mesmo que ele esperava.
Broadway teve o vislumbre inicial do que iria fazer durante um passeio na praia. Ele e seus amigos levaram para a viagem 13 quilos de gelo, que deveria durar por 5 dias. A inquietação surgiu quando o pensamento da possibilidade de utilizar essa energia de forma adequada se pincelou em sua mente.
A partir deste momento, ninguém o parou. Broadway começou a fazer diversas pesquisas, movidas por sua curiosidade, para identificar os tipos de métodos de refrigeração antigos, e se algum deles resolveria sua questão. Foi então que ele descobriu uma forma utilizada por agricultores rurais que não tinham acesso a eletricidade, e a partir disso sua ideia foi desenvolvida.
O projeto do rapaz é um pequeno aparelho, branco com listras vermelhas; uma cápsula de alça, para resumir. Compacto o suficiente para caber em uma mochila, o isobar é uma microgeladeira. Para funcionar, primeiro, é necessário manter o isobar aquecido por uma hora. Dentro do aparelho, que muito se assemelha a um frasco comprido e isolado, há uma mistura de água e amoníaco. Primeiro, o amoníaco evapora. Depois, esta substância permanece presa à parte superior do recipiente, e depois se “reevapora” na água.
A invenção do jovem não é especialmente complexa. Vacinas precisam ser mantidas entre 2º e 8ºC para serem eficazes, e seu aparelho consegue mantê-las em temperatura constante por 30 dias. E não apenas as vacinas: órgãos doados, células-tronco e transplantes também. O isobar, então, tem potencial de salvar 1,5 milhão de vidas por ano, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS).
Um número assustadoramente grande. Sim. 1,5 milhão de pessoas por ano que podem conseguir mais uma oportunidade de lutar, graças a esse rapaz. Por conta da grandiosidade de sua criação, Broadway conseguiu a vaga de finalista de um dos prêmios de tecnologia mais prestigiados do mundo, o consagrado James Dyson 2016. O prêmio é organizado pela instituição homônima para incentivar jovens designers a solucionar problemas cotidianos.
Com a locomoção facilitada, diversos países subdesenvolvidos — que têm atualmente dificuldade em receber esses artefatos por conta da distância — agora poderão garantir maior tranquilidade para suas populações. Isso é uma solução que traria benefícios por todo o mundo.
Ainda que sua invenção seja revolucionária, o humilde rapaz não pretende criar patente. "Sinceramente, não tenho interesses comerciais pessoais", afirmou com sorriso no rosto e confiança na voz. Sua única intenção é com o James Dyson 2016: "Ganhar o prêmio me daria confiança para desenvolver minha invenção. E poderia ter um grande impacto e beneficiar milhares de pessoas".

William Broadway, criador do Isobar






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